Escola Lumiar: inovação e autonomia – Site Microsoft

Oct 17, 2010   //   by admin   //   Imprensa  //  No Comments

“Quero poder fazer aviõezinhos de papel para brincar aqui na escola”. Este foi o pedido de um garotinho de 5 anos durante a “roda”, uma espécie de assembléia que acontece duas vezes por semana na Escola Lumiar, em São Paulo (SP), e que conta com todos os outros colegas, tutores e a direção.

Pesados os prós e contras, ficou decidido que deveria ser escolhido um dia para a atividade, desde que os papéis usados fossem de rascunho e que ao término da brincadeira, fossem jogados no lixo. Esta e muitas “regras” são estipuladas em conjunto, com respeito e em construída harmonia.

Baseada na filosofia de “escola democrática”, as crianças e jovens da Lumiar têm a possibilidade de discutir e negociar a respeito do que envolve o ambiente escolar e a construção de sua aprendizagem. Podem, por exemplo, escolher se preferem participar de um determinado projeto ou se acham melhor jogar Banco Imobiliário na biblioteca ou navegar na internet. Tudo na base da conversa e negociação, sem broncas, advertências nem suspensões.

Diferente? Você ainda não viu nada. No casarão dos anos 30 onde a escola de São Paulo está sediada, não existem professores formais e muito menos salas de aula. No dia-a-dia, os alunos são acompanhados por educadores, que lá recebem o nome de “tutores” e auxiliam grupos de no máximo 20 alunos. Os estudantes, que têm entre 2 e 15 anos, aprendem também com “mestres”, ou seja, profissionais de diversas áreas do conhecimento, como médicos, psicólogos, arquitetos, físicos, chefs de cozinha, biólogos, entre outros, que vão até a escola e conversam com os alunos. O papo pode ser no pátio ou na casinha da árvore, se o tempo assim permitir.
Cacau

“O currículo dos estudantes segue o sistema Mosaico, em que o aluno escolhe o projeto que deseja participar”, afirma a diretora Maria Cláudia Leme Lopes da Silva, mais conhecida como “Cacau”. “Acreditamos que os alunos se desenvolvem melhor, com mais autonomia, se tiverem liberdade para decidir o que querem fazer, de acordo com seu interesse. Queremos formar cidadãos críticos, felizes e integrados socialmente”, completa ela, que assumiu o cargo em 2006.

De qualquer forma, aos pais preocupados com o currículo escolar tradicional, a diretora explica que os alunos têm acesso a todos os conteúdos. “O sistema Mosaico dialoga com os parâmetros curriculares nacionais (PCNs)”, argumenta. Apesar da ausência de provas, os alunos são avaliados continuamente pelos tutores e mestres, que vão detectando os interesses dos alunos e sugerindo novas pesquisas e projetos.

Não há tampouco motivos para os responsáveis temerem pelo desempenho dos filhos no vestibular. De acordo com o educador Fernando Almeida, presidente do Instituto Lumiar, professor do programa de pós-graduação em Educação: Currículo, da PUC-SP e ex-secretário municipal da Educação de São Paulo, a escola proporciona aos estudantes uma formação completa, tanto em termos de conteúdo quanto pessoais. “Mais importante do que saber tudo sobre química, é conseguir se concentrar, ter a habilidade de relacionar a química com a realidade e entender o que está sendo pedido”, analisa.

Convivência com todas as classes
Escola Lumiar

Mantida pela Fundação Semco, a escola foi fundada em 2002 e possui entre seus principios fazer com que haja um equilíbrio entre as diferentes classes sociais. Ou seja: entre os 61 alunos da escola, há desde alunos que pagam 100% da mensalidade até os que pagam 25%. Alguns alunos têm a oportunidade de pagar o valor simbólico de R$ 3 para poder freqüentar a escola. Trata-se de uma escola privada com “vocação” pública.

Segundo Cacau, este é um dos conceitos mais preciosos da Lumiar. “Os alunos são estimulados a conhecer diferentes realidades sociais. Esta convivência permite uma quebra de preconceitos e uma consciência maior sobre o mundo. Todos só têm a ganhar com isso”.

Outro importante pilar da metodologia da escola diz respeito à aprendizagem a qualquer momento, em qualquer espaço. Além da liberdade para a escolha de onde prefere aprender, foram criados “nichos” – mesas com computadores – em toda a escola, para que possam fazer pesquisas na Internet na hora que precisarem.

Opiniões levadas a sério

Um dos alunos mais antigos, Norberto*, de 13 anos, estuda na escola há três. Veio de uma escola tradicional, mas não sente nenhuma falta dos horários rigidamente estabelecidos nem da obrigatoriedade do uniforme (que na Lumiar, como todo o restante, é decidido de acordo com a vontade de cada um). Gosta da liberdade para escolher o que acha importante aprender. “Não fazemos nada por obrigação”, proclama. Também vê com bons olhos o fato de fazer parte das decisões da escola. “Aqui nossa opinião é ouvida de verdade”, conta.

Aline*, um ano mais nova que Norberto, estuda na Lumiar há um ano, e nem pensa em mudar. “Adorei a oportunidade de aprender culinária e também participo de um projeto de jogos em Inglês. Sinto que estou aprendendo mais a cada dia e já consigo entender várias falas quando vejo um filme falado nesse idioma, por exemplo”, comemora.

Aos 8 anos, Jorge* adorou aprender a fazer “geleca”. O objetivo deste trabalho é permitir ao aluno investigar a origem, a composição e as propriedades dos materiais. Nesse projeto, os alunos têm a oportunidade de aprender, mesmo que não percebam, diversos conceitos de Química. ”É fácil, é só misturar cola, duas gotas de corante e bastante água. Daí é só ficar mexendo”, disse o pequeno Jorge* que pretende ser “biólogo marinho e terrestre, porque gosto de todos os bichos”.

(* os nomes foram trocados para preservar a privacidade dos alunos)

Escola Inovadora

Agora que a Lumiar é uma das 12 escolas escolhidas entre 101 países que farão parte do programa Microsoft Worldwide Innovative Schools, a escola vê com otimismo o apoio da Microsoft às suas ações.

Na prática, a proposta é construir um “banco de projetos” para que professores de outras localidades tenham acesso e possam utilizar, acrescentando novas idéias e adaptando de acordo com sua realidade, em um processo colaborativo.

“A proposta da Microsoft é usar a tecnologia para aperfeiçoar a metodologia pedagógica Mosaico e potencializar sua aplicação para a comunidade e para a escola”, finaliza Fernando Almeida.

Fonte: Site Microsoft

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